NOSSA HISTÓRIA

A HISTÓRIA DA ACADEF

Acredito que a Acadef foi ”gerada” no instante em que Jorge e eu nos conhecemos.

Naquela época (1983) eu participava do movimento da Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes (FCD) e passava por alguns problemas familiares; marquei uma reunião para informar ao grupo que estava saindo, tanto do grupo quanto da coordenação. Nesta reunião, Jorge Cardoso participou pela primeira vez, convidado pelo então vereador Ivo Lech e depois de muita conversa ele assumiu o movimento e eu acabei não saindo..

A participação dele deu um novo impulso ao grupo e ao Movimento tanto a nível municipal quanto estadual. Várias atividades e reuniões importantes aconteceram; o boletim informativo Sol Nascente foi criado e revolucionou os meios de comunicação dentro do Movimento dos deficientes que deu com certeza, um salto de qualidade.

Mas começamos a perceber que o trabalho desenvolvido ia até um ponto e parava sem rumo para seguir. Surgiu então a idéia de fazer uma associação, entidade jurídica de direito e de fato que pudesse lutar mais além, reivindicando acesso, trabalho e direitos

No dia 20 de maio de 1984, com apoio do então Prefeito Municipal Hugo Simões Lagranha um grupo de 26 pessoas se reuniram no salão paroquial da Igreja Matriz São Luiz para aprovar os estatutos de fundação da Associação Canoense de Deficientes Físicos – Acadef.

A primeira Sede foi no quarto do Jorge; tudo o que a Acadef tinha, cabia numa caixa de papelão, menos as idéias e sonhos que fervilhavam. Havia muita coisa por fazer, contatos, negócios, planejamentos.

Era preciso um espaço maior e infra estrutura como telefone, fax e correio, então a Acadef se mudou para o gabinete do Ivo Lech e algum tempo depois passou a ocupar uma sala no Instituto Pestalozzi.

O salto maior aconteceu em 1987 com a cedência da Escola São Francisco pelo Prefeito Carlos Giacomazzi. O prédio e as máquinas existente foram consertados com o apoio da comunidade e da própria prefeitura porque a associação não tinha nenhum recurso ( e quando precisava, a gente mesmo financiava com o que podia ). Naquele local foram realizados os primeiros cursos profissionalizantes e criada a fabrica de cadeiras de rodas e de caixas de correspondências. Começa entrar alguns recursos através de projeto e serviços. Já é a Acadef em busca da autonomia financeira…

Em 1989 a ULBRA cedeu um prédio que estava abandonado na Rua Bandeirantes e novamente a Acadef movimentou a comunidade e a prefeitura para a reforma do local. A REFAP estava trocando seu mobiliário e acabou cedendo todo o antigo para a Acadef. Como não tínhamos nada e as sala não tinham divisória, quando chegaram os móveis da Refap o Jorge “distribuiu os setores”. Cada mesa era um setor na imaginação fértil dele!

O prédio permitiu abrigar várias atividades assistenciais, educacionais, culturais e de formação além da primeira oficina protegida com trabalho terceirizado pela IRIEL na montagem de tomadas telefônicas. Era a Acadef já então gerando renda e cidadania para os deficientes e buscando seu próprio sustento.

Também nesta época foram firmados os primeiros contratos de terceirização de serviços com a REFAP, DATAPREV, CORREIO, INMETRO e Prefeitura de Canoas para o estacionamento ZONA AZUL. Finalmente surgia oportunidade de trabalho real para os deficientes e de sustentabilidade para a Acadef.

Cerca de 25 deficientes passavam o dia na associação, estudando ou trabalhando no setor de produção. O almoço era doado por empresas como a Springer ou Alimentus e quem não podia usar o transporte coletivo era transportado pela kombi da entidade. Nesta época a Acadef já tinha comprado uma kombi de “ 3ª mão “ que cada vez que saia ficávamos torcendo para chegar de volta e quando estragava era consertada gentilmente pela Cautol Veículos.

No ano de 1996 a Acadef foi surpreendida com uma ação de despejo movida pela ULBRA que solicitava a retomada do prédio em 15 dias. Após o desespero da notícia partimos para a busca de outro local onde instalar tudo o que já tínhamos. A solução desta vez, foi alugar um espaço na Major Sezefredo, n° 520 e novamente adaptar o local às necessidades da entidade e dos deficientes físicos.

Ter uma sede própria passou a ser o sonho de cada um dos Acadefianos e a meta número um para os administradores da entidade. As promessas dos órgãos públicos nunca se concretizavam e a Acadef decidiu investir então os recursos já existentes na compra de um terreno, em 1998 as obras iniciaram.

No dia 20 de maio de 1999 a Acadef fez 15 anos e festejou também a inauguração da sede própria. Quando mudamos para cá, fizemos questão de colocar em nosso material impresso “SEDE PRÓPRIA” para não deixar nenhuma dúvida: Este é o nosso lugar, foi construído com recursos do trabalho dos próprios deficientes, sem dever nada a ninguém!

“Por mais sonhadores que fossemos em 1984, jamais poderíamos imaginar a importância que a Acadef teria na vida de centenas de pessoas que por aqui passaram deixando suas marcas ; pessoas que ainda hoje nos ajudam a segurar toda esta estrutura. Tudo o que temos hoje foi conquistado com muita luta, com lágrima e sofrimento “ nada caiu do céu”. Muitas vezes tivemos o ímpeto de largar tudo e ir prá casa chorar nossa desilusão com tantas dificuldades e até ingratidão. Mas o amor e a crença na Acadef sempre foram maiores e no dia seguinte lá estávamos de volta para recomeçar tudo outra vez. Na Acadef é assim. Cada dia é uma desafio. Cada dia é um recomeço!

Especialmente para nós dois ( Jorge e Suzana Cardoso ) a Acadef tem sido nestes anos todos, uma companheira ciumenta, um filho mimado e exigente, motivo de crescimento, orgulho e muitas brigas mas acima de tudo um grande caso de amor!”

História contada por Maria Suzana Nunes Cardoso

HOMENAGEM AOS FUNDADORES:

1. Jorge Fernandes Cardoso

2. Maria Suzana Nunes

4. Rosangela de Oliveira

5. Arnaldo Mello Souza

7. Orizontina de Matos

8. Terezinha Weschenfelder

10. Valdecir Antonio Duro Maciel

11. Laci Vicente

13. Elci Hallmann

14. Lauro Gilberto S.Figueiró

16. Marta Teresa Demoliner

17. Carmen Terezinha Tellier

19. Romilda N. Rodrigues

20. Teresinha Abel Borges

22. Maria Elsa Tellier

23. Sophia Westphaler

25. Ivone B. Lagranha

26. Irmã Rosa Valentini

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