Segmento e política

Por Tarcízio Teixeira Cardoso*

O escritor peruano, com apelido Sofocleto, disse: “A mediocridade é a arte de não ter inimigos.”

Devo abrandar parafraseando-o: tenho desafetos, pois não sou medíocre!

Minha passagem pelo ambiente da política (e da politicagem), até como gestor de alguns órgãos e sub órgãos municipais e estaduais, indicado e apadrinhado por políticos e seus partidos políticos, me fez e me faz colecionar alguns desafetos. São pessoas que por interesses particulares ou de um grupo menor falam e articulam em nome do coletivo. Ou que fazem um discurso pelo que é moral e ético e na prática agem como meros defensores de seus umbigos ou seus votos.

Como militante e articulador do movimento das pessoas com deficiência (PcDs) já ouvi muitos falarem em defesa do segmento ou que apóiam o segmento. Esses, muitas vezes, usam a palavra “segmento” indiscriminadamente, como se tivessem falando de um coletivo de sua propriedade ou de seu comando. O segmento das PcDS é muito maior que uma causa local ou momentânea, nele encontram-se opiniões, pessoas e grupos divergentes, mas que entendem a democracia como algo praticável e que contempla a todos. Divergem apenas enquanto protagonistas, mas sabem separar interesses da política eleitoreira das políticas sociais e podem ser sim, mandatários de cargos políticos eleitos ou apadrinhados (se assim souberem separar).

Os medíocres falam de política e segmento como coisas separadas quando isso os beneficia, mas logo ali na frente (ou atrás) mudam o discurso e a prática, misturando politicagem com causa social. Nenhuma novidade quanto a isso!

Por isto que coleciono desafetos, pois tento não ser medíocre e, para praticar a não mediocridade (acima exposta), me afasto deles.

*Cientista social, MBA em Gerenciamento de Projetos, Vice-Presidente da Acadef.

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