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JORGE FERNANDES CARDOSO

No começo da década de 80 conheci um moço, paraplégico, com seus dois filhos, com olhos inquietos e assim como tantos outros companheiros, naquela época, sem vislumbrar um caminho. Estava ele na sua cama, com amargura e sem saber ainda o que queria e se poderia fazer alguma coisa na vida.
Foram muitas visitas ao já amigo que morava com os pais. Aos poucos fui sentindo que eu estava conhecendo uma grande figura humana, um espiritualista, um sonhador. O nosso movimento ainda era iniciante, as pessoas com deficiência não tinham direito algum.

Começamos a fazer parte da FCD – Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes, observem a palavra “doentes” era assim que éramos chamados na época.
A realidade que se tinha era de companheiros deficientes físicos que vinham de Porto Alegre, vender balas em suas cadeiras de rodas em Canoas, era a sobrevivência pela piedade.
Foi quando surgiu a ideia de formarmos uma Associação de Deficientes Físicos em Canoas, A ACADEF, com a finalidade de congregar os companheiros deficientes físicos e torná-los sujeitos ativos de suas histórias.

O que tínhamos então? Só um sonho, uma vontade de construir e fazer a nossa parte. E o Jorge Fernandes Cardoso personalizou muito bem este momento, tornando-se o presidente e líder da associação em Canoas.

Foram anos de muito trabalho e luta a perseguir aquele sonho, o sonho dos marginalizados e discriminados que só queriam serem iguais.

E hoje o que é a nossa ACADEF? É o resultado de um sonho, do tamanho do coração de um homem chamado Jorge Cardoso. Canoas perdeu um grande homem, nós perdemos um amigo, uma referência e sem sombra de dúvidas um grande administrador, que soube conduzir nossa entidade até aqui, com seu coração e com a intensidade que requeria a nossa ACADEF.

E este sonho não pode parar tem que continuar mais forte, porque este é o desejo e a vontade do grande líder. Jorge Fernandes Cardoso, muito obrigado pela tua luta e pelo teu trabalho. A semente que tu ajudaste a plantar seguirá com a tua lembrança e colhendo os frutos do teu empenho e esforço. O sonho não morrer.

Ivo Lech – Vereador e fundador da ACADEF

 

 

NOVOS PARÂMETROS, NOVAS ATITUDES
Tarcízio Teixeira Cardoso*

Parafraseando Dra. Izabel Maior, avançou-se culturalmente em três décadas, com relação ao conceito que determina a autonomia das pessoas com deficiência (PcDs). Antes se esperava “consertar” as pessoas para que se adequassem ao meio, agora o meio deve ser “consertado” para receber a diversidade e, nesta, as PcDs. Os governos devem buscar soluções que contemplem todos os segmentos e, neles, todas as suas particularidades. Do discurso à prática existe um vale imenso e a ponte, para unir os dois lados, se chama recurso ou investimento. A ação torna-se parte mais que importante neste caminho, é o que transcende a vontade, é a imagem do pseudo-querer-fazer transformando-se em calçadas corretamente ordenadas e pavimentadas, por exemplo, é a desorganização substituída por fiscalização.

Os executivos estaduais e municipais devem separar dinheiro para os curativos e ações perenes. Treinar equipes e criar equipamentos que deem conta de atender as necessidades desta parte da população. O controle social (formado por lideranças e dirigentes de entidades do segmento) compreende o que é fazer para valer e apoia, por outro lado não se intimida em cobrar mais se necessário for. Esta cobrança não deve ser encarada como simples insatisfação ou atitude opositiva, deve ser sim, um alerta para as imperfeições e um indicador para tomada de decisões.

Vinte e quatro por cento da população brasileira tem algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida – segundo o IBGE, censo 2010 – são 50 milhões de brasileiros que fazem a diferença na produção, no turismo, no consumo de bens e produtos e que vão as urnas. Levam a experiência vivida do que é bom para si e que os aproxima com os outros e movimentam milhões de reais mensais e que boa parte chega aos cofres públicos na forma de tributos. Não atender esta parte da população com ações dirigidas pode significar estar abrindo mão de resultados políticos, institucionais e financeiros para os municípios e para governos.

Quem sair na frente estará garantindo visibilidade e cumprindo seu papel político e social, certamente irá ser reconhecido pelo segmento e movimento das PcDs. Percebe-se, portanto que acessibilidade e inclusão são bons negócios. Então vamos à prática, mãos a obra!

*Tarcízio Teixeira Cardoso é cientista social, MBA em Gerenciamento de Projetos e membro do Conselho de Administração da Acadef.

 

Projeto Cuidar

História
O Projeto Cuidar começa a germinar no início da década de 80, através da Fraternidade Cristã de Deficientes (FCD), localizada na Paróquia São Luís, no centro de Canoas. Deste núcleo da Paróquia despontaram várias lideranças, protagonistas no que diz respeito aos direitos das pessoas com deficiência.
A FCD tinha como objetivo agregar cada vez mais pessoas para o círculo dos deficientes com o intuito de dar mais visibilidade e reconhecimento. Criando uma relação mais social entre as pessoas, “deficientes” ou não, o mais importante era colocá-las em pé de igualdade.
Parte do trabalho deste grupo era visitar os deficientes nas suas casas e levar as boas novas sobre uma década promissora, de muitas lutas, frustrações e grandes conquistas. A sociedade clamava em saber como deveria proceder para por os deficientes em pé de igualdade e traçar um novo paradigma social.
O tempo passou e os deficientes que por lá passaram também começaram a protagonizar suas vidas, saindo da tutela do estado e/ou da família para a emancipação, pois este era o objetivo da FCD. A semente da Fraternidade germinara naqueles corações e a vida seguiu seu rumo.
            No meio deste processo, nasce a Associação Canoense de Deficientes Físicos (ACADEF) em 1984, idealizada por Suzana Cardoso, Jorge Cardoso e seu time de protagonistas.
Os anos passaram, mas o desejo de recriar um projeto, como o realizado pela FCD, nunca passou para estas pessoas. Mesmo com a falta de estrutura e financiamento, o grupo foi corajoso e focado no seu objetivo. Na primeira oportunidade tocaram o projeto em frente, transformando um sonho em uma semente, que agora germina num campo vasto e dá bons frutos.
Em 2005 nasce o Projeto Cuidar e a Entidade arca com todos os custos que envolviam este trabalho, como Kombi adaptada, motorista, assistente social e voluntários com deficiência (cadeirantes). Com extrema sensibilidade pela causa, os integrantes do Projeto Cuidar vêm criando um vínculo, uma relação mais humana e direta com o usuário ou beneficiário visitado, garantindo seu conhecimento sobre seus direitos e deveres, e consequentemente do estado assegurando seus direitos.  

O que é o Projeto Cuidar
O Cuidar é um projeto de cunho social ligado aos direitos humanos, contemplando cerca de 400 pessoas, que são acompanhadas através do Plano de Desenvolvimento do Usuário (PDU), com visitas a domicílio e relatórios das demandas.
O Projeto Cuidar faz cerca de 70 visitas domiciliares mensais, de cadeirante para cadeirantes e com o apoio do serviço social da entidade. Nessas visitas são feitas orientações de quais os serviços que a ACADEF disponibiliza na área de inclusão e reabilitação, além de levar para os visitados diversas informação de direitos e/ou benefícios relacionados às pessoas com deficiência, fomentando-a para uma vida atuante e plena dentro das suas possibilidades.
Além disso, o Projeto Cuidar participa de conferências, fóruns e seminários relacionados às pessoas com deficiência para agregar conhecimento, dividir experiências e também ajudar no fortalecimento dessas pessoas, sempre atualizando seus usuários para que de alguma forma possam estar inseridos no meio social.
O Projeto trabalha em conjunto com todos os setores internos e externos da ACADEF e do Município de Canoas, sendo eles clínicos, sociais e humanos. O foco principal do Projeto Cuidar é informar, orientar, esclarecer, fomentar e acompanhar o desenvolvimento do usuário através do PDU.

 
foto antonio
 

Atualidades em Canoas

- Por Tarcízio Teixeira Cardoso

 

Em 2009, logo que o atual Prefeito de Canoas - Sr. Jairo Jorge - tomou posse, foi criada a Coordenadoria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social, que tinha Ony Teresinha como gestora daquela pasta. O segmento e movimento das pessoas com deficiência (PCDs) do município começa a ter mais segurança em relação à garantia de seus direitos.

A Casa dos Conselhos abriga, desde 2010, o Conselho dos Direitos das Pessoas com Deficiências (Comdip), entre outros, revelando o respeito pelos segmentos sociais organizados.

A articulação do segmento das PCDs em 2011, em parceria com as entidades que representam o Comdip, propôs a criação de órgão específico para cuidar das políticas relativas à inclusão e acessibilidade. O vereador Ivo Fiorotti compreendeu esta necessidade e colaborou com a criação da Coordenadoria Municipal das Pessoas com Deficiência (Coomped), proposta pelo Executivo Municipal, que também criou a Coordenadoria Municipal do Idoso. Extinguia-se a Coordenadoria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social, que até então cuidara da política municipal dos dois segmentos.

Criada no final de 2011 e estruturada a partir de março de 2012, a Coomped, busca interagir e integrar-se com todos os órgãos, projetos e programas da Prefeitura de Canoas e aproxima-os das entidades que complementam sua execução.

Como interlocutora e articuladora, orienta à aproximação entre conceitos e prática no que tange a inclusão das pessoas com deficiência, com atenção especial para as questões relativas à acessibilidade urbanística, arquitetônica, no transporte e de comunicação, com objetivo de tornar a cidade um referencial de convivência e cidadania.

A metodologia de trabalho da Coomped consiste em:

  • Receber demandas do executivo, população, entidades e outros;
  • Realizar verificações in loco;
  • Elaborar diagnósticos;
  • Elaborar orientações para adequações ou soluções;
  • Pactuar com os entes responsáveis;
  • Acompanhar execução ou procedimentos;
  • Encaminhar respostas a solicitantes.

 

Já são mais de 173 vistorias técnicas em acessibilidade, organização da XV Semana Municipal dos Direitos das PCDs em parceria com entidades ligadas ao Comdip.

Para 2013 pretende-se criar o Plano Canoas sem Limites, iniciar a criação do Plano Municipal de Acessibilidade e o Comitê Municipal de Tecnologia e Informação Acessível, entre outras iniciativas. Canoas acompanha a política nacional do segmento que, com a criação do Plano Viver sem Limites, consolida o entendimento da necessidade de recursos e políticas específicas com gestão técnica de quem participa do movimento.

Estamos no auge e plenitude do respeito à diversidade, em especial às PCDs. Resta atuar pró ativamente para que o direito e conceito passem a ser cultura, resultando em atitudes inclusivas, sem exclusividade ou assistencialismo para – segundo o Censo do IBGE de 2010 – mais de 70 mil pessoas em Canoas.

*Membro do Conselho de Administração da ACADEF

 

 

Agora, a sigla é PCD.

Entenda porquê!
Os movimentos mundiais de pessoas com deficiência, incluindo os do Brasil, debateram o nome pelo qual elas desejam ser chamadas. Mundialmente, já fecharam a questão: querem ser chamadas de "pessoas com deficiência" em todos os idiomas. E esse termo faz parte do texto da Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Assembléia Geral da ONU em 2004 e a ser promulgada posteriormente através de lei nacional de todos os países-membros.

Votação no Senado - Com 56 votos favoráveis, o Plenário do Senado aprovou, em 2 de julho de 2008, o projeto de decreto legislativo (PDS 90/08) que aprova os textos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007.

O texto da convenção define como “pessoas com deficiência” as que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Assim, entre outras definições ficou definido que no Brasil, serão utilizadas determinações da ONU, trasnformando a expressão Pessoa com Deficiência (PCD), a oficial utilizada no país.

Fontes:www.icepbrasil.com.br e Agência Senado

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Fortalecimento dos Conselhos de Direitos da Pessoa com Deficiência

A criação, consolidação e fortalecimento dos conselhos de direitos da pessoa com deficiência é uma prioridade do CONADE neste momento histórico. A nossa participação direta no processo de definição e elaboração de políticas públicas pressupõe debate qualificado pelo movimento social protagonizado por nós, pessoas com deficiência. Sabemos que o momento é propício. No âmbito internacional, forças se articulam para alavancar a construção da rede de proteção social, buscando a garantia de nossos direitos. No Brasil, reconhecemos a fragilidade de nossa articulação e acreditamos em nosso poder de superação, a partir da ação coletiva.

A formação de novas lideranças capazes de dialogar com os diversos setores da sociedade e mobilizar o segmento na defesa legítima de nossos interesses é imperioso. O exercício efetivo do controle social não é uma prática comum entre nós. Cabe ao CONADE , coordenar mediar e liderar este processo de aprendizado , na busca da construção deste novo paradigma: participação, controle social e defesa de direitos.

A primeira reunião do CONADE com os Conselhos Estaduais objetivou o início deste processo. Construir juntos a proposta de Capacitação Nacional de Conselheiros e potenciais conselheiros, preparar o III Encontro Nacional de Conselhos e a II Conferência Nacional é um desafio imposto, sobretudo, ao movimento organizado de pessoas com deficiência.

Envolver o executivo, legislativo, órgãos de defesa de direitos e toda sociedade é uma tarefa de todos nós. Norteados pelas deliberações da I Conferência Nacional, é hora de sacudirmos a poeira deixada por um t empo de tutela e sairmos a campo em busca da concretização e aperfeiçoamento das políticas instituídas. Ampliar o número de conselhos de direitos da pessoa com deficiência não é apenas uma questão matemática. É, principalmente, uma estratégia para nos organizarmos melhor, comprometermos a sociedade civil e o poder público com a implementação de ações que promovam nossa autonomia e dignidade social.

Martinha Clarete Dutra
Coord. Comissão Permanente
de Articulação de Conselhos do CONADE
Fonte: Informativo Conade/Julho 2007

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Tudo evolui. Você também pode evoluir.
Tarcízio T. Cardoso *

É natural que, além dos direitos das pessoas com deficiência estarem sendo exercidos, os deveres de cidadãos também devem seguir a mesma diretriz. Há pouco tempo atrás se falava em garantir direitos através de instrumentos legais. Agora se discute a validação desses instrumentos, pois a prática deles revelou que existem mais pessoas com deficiência capazes de exercer cidadania do que se estimava nos anos 80.

O direito a compra de veículos automotores, por exemplo, está em constante discussão na pauta do Conselho Nacional de Política Fazendária.

Nota-se aí, que muitas pessoas com deficiência estão adquirindo o seu carro, não aquele sonhado, mas o que garante o pleno direito de ir e vir.

Outro exemplo: com a evolução da discussão e implantação do Sistema Único de Assistência Social, pode pôr em risco a garantia do Benefício da Prestação Continuada, aquele salário mínimo que garante condições de sobrevivência a muitos com deficiência.

Falando de deveres, se a pessoa com deficiência não procurar sua própria evolução, ou seja, estudar, capacitar-se, qualificar-se, trabalhar e até mesmo manifestar-se como ente social, estará correndo risco de não usufruir dos direitos discutidos e modificados.

Portanto, se a luta das pessoas com deficiência é a igualdade de direitos para o pleno exercício da cidadania e se estão sendo rediscutidos esses direitos na perspectiva de que se deve oferecer os meios para este exercício, o bom senso indica que a igualdade é uma equação que: soma o fator ambiente acessível e inclusivo com o “empoderamento” através da evolução pessoal.

 

foto tarcizio cardoso

*Tarcízio Teixeira Cardoso.

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